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Quanto mais digitalizado um país, melhor seu PIB, melhor a qualidade de vida de sua população.

Com esta frase, o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação Digital da Secretaria de Empreendedorismo e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, José Gontijo, abriu sua palestra no Fórum Líderes da Internet Brasil, realizado pela InternetSul.

Para o gestor, é fundamental que o país avance na especialização de suas TICs, e, neste cenário, a conectividade fornecida pelos provedores regionais tem espaço central.

“Precisamos subir em rankings globais de inovação, de TICs. E como aceleramos isto? Com políticas públicas, sim, mas também com a ponta, o setor privado, as entidades. É preciso usar estes instrumentos todos para promover a digitalização do país”, afirmou Gontijo.

Citando fóruns globais, como BRICS, CEPAL, OECD e G20, ele ressaltou a importância da construção de estratégias digitais como prioridade nas sociedades, e salientou o papel das parcerias público-privadas neste âmbito.

“Sozinho, o governo não consegue. A parceria com os entes privados é fundamental”, destacou o palestrante.

Segundo Gontijo, as mudanças exigidas pela pandemia da Covid-19 tiveram impacto sobre o avanço da digitalização, já que muitas empresas e pessoas foram obrigadas a superar barreiras que poderiam ter à adesão à tecnologia e adotar recursos que permitissem fazer contatos, trabalhar, realizar negócios.

“Agora, para 2021 e adiante, há um espaço gigantesco de infraestrutura, de serviços e de qualidade de vida do cidadão, no qual empresas que souberem aproveitar irão crescer. Quem não queria se digitalizar, foi forçado a fazê-lo, ou não sobreviveria à pandemia. Hoje, a confiança em usar os meios digitais aumentou, a barreira foi vencida. É um mercado a ser potencializado”, comentou.

Alertando que o governo precisa se transformar mas, mais do que isso, é preciso transformar a própria economia do país, Gontijo destacou ações como o Plano Nacional de IOT, lançado em 2019 com foco em setores prioritários: Cidades, Saúde, Rural e Indústria.

Para os setores produtivos, o diretor salientou que o governo poderá atuar por meio da retirada de barreiras, criando condições regulatórias para que a iniciativa privada possa investir no avanço da digitalização.

Além disso, trouxe a participação dos ISPs como prioritária no avanço do Plano Nacional de IOT, especialmente no agro e nas áreas urbanas menos atendidas pelas grandes operadoras.

“O setor agropecuário responde por 25% do PIB brasileiro. Podemos dizer, então, que se dermos um ganho de 10% de eficiência a este segmento, por meio da tecnologia, aumentaremos o PIB em 2,5, o que não é pouco!”, afirmou Gontijo. “E os provedores são fundamentais nesta linha. São eles que vão levar conectividade ao agro. De nada adianta uma grande fazenda ter uma colheitadeira de milhões de reais se não tiver conectividade para receber dados em tempo real, fazer a gestão em tempo real. Será simplesmente como ter uma Ferrari para andar em uma estrada de terra”, analisou.

Ainda de acordo com o diretor, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações é, sim, um ente importante na construção de todo este quadro de digitalização, mas não sabe “onde o calo dói”: isto quem sabe são as empresas, quem atua junto ao usuário, na prática. “Nós podemos ouvir, buscar políticas que fomentem, mas quem sabe melhor é o empresário. Por isso nos colocamos à disposição para ouvir e elocubrar”, comentou, destacando incentivos em andamento, como a redução de taxas do Fistel, incentivos via Anatel e Ancine, entre outros, além de programas como o IA2 MCTI, voltado ao estímulo de startups que, de 100 projetos pré-acelerados, já selecionou 30 para receberem aportes de R$ 30 mil cada, e, destas, as 15 melhores receberão R$ 300 mil cada para promover pesquisas de soluções de IA para grandes empresas.

Outros editais focados em pesquisa para a área de tecnologia, como o aberto pela FAPESP para projetos de IA, também foram ressaltados pelo diretor. “Neste projeto, só do governo serão investidos R$ 80 milhões. Contando com a contrapartida do setor privado, a iniciativa poderá chegar até R$ 160 milhões reais nos próximos 10 anos”, avaliou.

Outros projetos citados pelo gestor foram a Rede MCTI Embrapi de Inovação em IA, voltada ao fomento de pesquisas por meio da Lei de Informática, a Plataforma IA para o Agronegócio, o InLab, a iniciativa focada em Telemedicina, bem como formações de recursos humanos e atração de capital humano qualificado para atuação em projetos nacionais de IA e outras áreas da inovação.

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